Fanfics - Aulas http://fanfics.animespirit.net AnimeSpirit a sua Comunidade de Animes Tue, 09 Feb 2010 15:10:16 GMT pt-br Copyright 2001-2010 AnimeSpirit AnimeSpirit Notícias webmaster@animespirit.net 1 Fanfics http://static.animespirit.net/img/common/logomarcas/0.gif http://fanfics.animespirit.net <![CDATA[Começando a escrever - parte 1]]> http://fanfics.animespirit.net/aulas/comecando-a-escrever--parte-1/ http://fanfics.animespirit.net/aulas/comecando-a-escrever--parte-1/#comentarios Mon, 12 Oct 2009 18:57:52 GMT http://fanfics.animespirit.net/aulas/comecando-a-escrever--parte-1/
Para variar, venho pedindo desculpas aos meus fieis leitores e leitoras pela demora...

Primeiramente gostaria de pedir aos leitores que, se quiserem, adicionassem meus jornais às suas observações. Isso vai ajudar a saber quando um capítulo novo foi postado nas Aulas, porque eu sempre deixo um jornal avisando ^-^

É bem tranquilo, basta acessar minha página, daí clicar em adicionar às observações e então selecionar Jornais. Até porque, como vocês devem ter percebido, as aulas não são sempre no mesmo dia, no mesmo horário. Muito difícil, na realidade. Obrigada!

Hoje começo então a seção Começando a escrever, que, inicialmente, planejo dividir em duas partes. A de hoje consiste em uma super dica do Philip Pullman, autor de Fronteiras do Universo, cujo primeiro filme, A Bússola de Ouro, saiu recentemente. Quem quiser conferir a matéria original, acesse o site His Dark Materials.

Aqui está traduzida a entrevista, que engloba grande parte do que venho tentando passar a vocês! A tradução foi feita por mim e eu gostaria de comentar algumas entrevistas que escutei no 3P Podcast (é fácil de encontrar, basta acessar o site oficial de Philip Pulman, de Christopher Paolini ou da escritora Tamora Pierce. É bem longo e difícil de compreender por causa dos chiados. Ah, e é obviamente em inglês). Mas isso fica para quando eu tiver tempo hábil.

O trecho é sobre escrever livros, mas batante aplicável a escrever Fictions, e deixa bem clara a paixão do autor pela escrita. Também ajuda a começar a escrita, dando dicas sobre roteiro e personagens, complementando as aulas previamente estudadas aqui.

Não vou colocá-lo em itálico porque acho que isso dificulta a leitura razoavelmente. Vou apenas postar entre aspas.

Espero que curtam a entrevista!

"Primeiro, faça um plano. Pegue um grande pedaço de papel, o maior que você encontrar e alguns daqueles post-its amarelos. Escreva uma idéia para uma cena em cada um dos papeizinhos amarelos e cole-os no papel maior. Quando houve uma boa quantia deles, cerca de quarenta ou cinqüenta, mova-os até você os colocar na melhor seqüência que você conseguir. Isso é o roteiro.

Então, você cria alguns personagens. Você precisa de uma mistura de alguns bons e maus, de alguns velhos e novos, de alguns ricos e pobres, de alguns bonitos e feios e por aí vai. Dessa forma, todo leitor vai ter um personagem com quem se identificar.

Você vai então precisar fazer alguma pesquisa. Você quer escrever sobre a vida num castelo medieval? Vá à biblioteca e pesquise. Você quer saber que espécie de roupas eles usam no norte da Finlândia? Procure uma National Geographic. Você precisa fazer muita pesquisa. Faça fotocópias de tudo o que precisar. Quanto mais você pesquisar, mais interessante ficará o seu livro.

Então...

Bom, então você pega seu grande pedaço de papel com o roteiro nos post-its amarelos, e suas cuidadosas notas sobre seus personagens, e seus material fotocopiado sobre os castelos e a Finlândia, e você os junta numa pilha e joga tudo fora.

Esqueça.

É inútil.

E você começa a escrever algo completamente diferente, algo que você não tem a menor idéia do que seja, algo que simplesmente veio à sua cabeça, algo que é urgentemente estranho a você.

E então você é atacado por uma febre de excitação. É como se apaixonar; é como sair para uma viagem emocionante; é como nenhuma outra alegria no mundo. Você está possuído. Você se sente radiante. Você brilha.

Mas... Então vem um tempo, depois de uma boa parte (no meu caso, geralmente por volta da página 70), quando você se desapaixona por isso. De fato, você começa a odiá-lo. Você lê e relê continuamente, e você está convencido de que ninguém, em toda a história do mubndo, escrito algo tão desconexo e sem energia. Você fica envergonhado. Você mal consegue olhar para a sua imagem no espelho.

Mas como agora é muito tarde para fazer outra coisa, e porque você é teimoso, você escreve sem esperanças até chegar ao final. Então você põe tudo de lado e decide virar um jogador de futebol ou um astro de filme ou um cirurgião. Qualquer coisa deve ser mais fácil do que escrever.

Mas, depois de um tempo, você pensa... Não, não está assim tão ruim.

E... Quando eu comecei, estava realmente animado.

E... talvez se eu olhasse isso novamente, eu poderia melhorá-lo e cortar aquele pedaço e talvez trazer aquele personagem mais cedo, pode funcionar.

E você começa a curtir e pensar... Ei, na verdade isso não é nem um pouco ruim.

Então você corta, e você gasta tempo nisso, e você muda a ordem disso aqui e daquilo lá, até que a história funcione. (...)

Então é hora de parar. (...)"]]>
http://fanfics.animespirit.net/aulas/comecando-a-escrever--parte-1/comentarios.xml
<![CDATA[Continua no próximo capítulo]]> http://fanfics.animespirit.net/aulas/continua-no-proximo-capitulo/ http://fanfics.animespirit.net/aulas/continua-no-proximo-capitulo/#comentarios Sun, 20 Sep 2009 21:48:00 GMT http://fanfics.animespirit.net/aulas/continua-no-proximo-capitulo/ Olá, Ficwriters!

A imagem que precede a aula de hoje é uma versão animê (feita por um fã) de Artemis Fowl, protagonista de uma coleção de mesmo nome. Recomendo o livro, é um dos meus preferidos! O primeiro volume se chama O Menino Prodígio do Crime.

Para mim ele está uma versão maléfica e paranóica do Yuki Souma, de Fruits Basket, o que só aumenta o charme da imagem.

Certo, vamos à aula de hoje, sugestão de uma das leitoras no Fórum.

Parafraseando a Srta.Baby, vamos hoje falar sobre níveis de informação, como deixar seu leitor interessado no próximo capítulo!

Sabe aquela história que você simplesmente não consegue parar de ler, daí chega no final do capítulo e você xinga o autor, a mãe dele, a avó dele, a bisa e mais algumas gerações, dizendo que tinha que ser "justo quando estava mais interessante"?

O mesmo é observado em novelas e em muitos livros, mas o que ninguém sabe é que surgiu no... jornal! Como? Oras, vários anos atrás, havia o costume de se separar uma parte do jornal para pôr um capítulo de uma história. Era geralmente destinado às mulheres, mas queeem disse que os homens não liam também?

Para instigar a curiosidade dos leitores (recuso-me a dizer "das leitoras"), esses autores começaram a usar técnicas, como interromper justo quando estava mais interessante. O livro Memórias de um Sargento de Milícias, por exemplo, foi postado em folhetins antes de virar livro. Foi o único livro de seu autor, apesar do sucesso todo!

Afinal, ele só postava os capítulos para poder pagar o estabelecimento em que ficava.

Hum, mas como fazer isso?

Não há uma receita secreta, depende muito da história do autor, é claro. Mas aqui seguem algumas dicas que podem ajudar nisso.

Dica 1: Faça um roteiro de capítulos!

Essa dica só serve para quem não sai escrevendo na louca e planeja tudo direitinho antes de digitar. Fazer um roteiro de idéias é algo muito difícil, porque a história raramente vai ficar como o imaginado. Difícil mesmo. Ainda assim, fazer um roteiro permite que você olhe para o seu material e diga: ahá, aqui fica interessante de cortar. Fulano morre? Vou cortar o capítulo no momento em que o tiro é disparado, ou quando Siclano diz "Vou te matar!" ou quando a esposa dele descobre a amante.

Infalível!

Dica 2: Corte já!

Essa dica é provavelmente mais útil a vocês do que a anterior, já que, imagino, não haja muitos Ficwriters que tenham um caderno separado para colocar o roteiro de suas histórias. Então é o seguinte:

Marque uma determinada quantidade de páginas para cada capítulo da sua história ter. Para quem escreve em Times New Roman 12 com espaço duplo entre os parágrafos, sugiro um mínimo de três páginas, senão fica meio pequeno. Mas isso é uma média! Ou seja, quem escreve dez páginas por capítulo pode variar entre sete e treze, por exemplo.

Vá monitorando a quantidade de páginas e, quando der o mínimo (usando o exemplo dado, quando você alcançar sete páginas), imagine o que vai acontecer em seguida. Se é algo muito urgente, legal e interessante, escreva um pouco mais, mas tendo em mente: Vou parar assim que der!

Exemplo:

Juliana tremia da cabeça aos pés, nervosa. Diego não havia ainda reparado em sua agonia e caminhava tranquilamente ao seu lado, tagarelando sobre a prova de Cálculo que teriam no dia seguinte.

- Diego... - ela sussurrou, finalmente tomando coragem para expor seus sentimentos. Engoliu seco quando percebeu que ele não ouviu. - Diego!

- Ah! Oi? - ele piscou um pouco aturdido, desculpando-se por estar distraído.

- Hm... ah, eu... queria dizer uma coisa para você.


Ôa! E agora, Juliana vai se declarar para ele ou não? Se a Fiction tem vários capítulos e, durante toda a história, a Juliana não se declarou para o Diego, você pode extender essa dúvida por mais algum tempo. Ainda mais se o enfoque da história for o romance deles! Como? Vou mostrar algumas maneiras:

1) Pare agora mesmo! Sim, nessa mesma fala da Juliana. Assim, o leitor não vai ter a menor idéia do que acontece em seguida e vai ficar atiçado.

2) Acrescente uma frase expondo um pensamento de dúvida da personagem. Assim:

Ela sorria corajosamente, respirando fundo e mentalmente torcendo para não gaguejar. Diego a observava, ansioso. Ela engoliu seco novamente.

3) Acrescente uma frase expondo a idéia de espera da personagem! Afinal, quando ela disser que o ama, vai ficar aquele silêncio meio constrangedor... e quem sabe o que ele dirá? Para Juliana, cada fração de segundo parecerá um dia inteiro. Faça o leitor experimentar essa agonia pela espera que a Juliana está experimentando! Vai ajudá-lo a se identificar com a personagem e imaginar o que ela está sentindo.

Assim:

- Eu te amo! - ela disse num fôlego só, sentindo seu coração bater muito rápido. Fechou os olhos, temendo a reação de Diego e sentindo que cada segundo demorava demais a passar.

Dica 3: Frase de efeito

Ok, seu capítulo terminou, mas não é um final exatamente emocionante. Como fazê-lo ficar melhor? Use uma frase de efeito!

Isso é algo muito legal de se fazer e, vamos combinar, deixa aquele saborzinho de Fiction bem-escrita. Uma frase de efeito você encontra em qualquer lugar: na frase de MSN dos seus contatos, em livros, em filmes. São geralmente frases inteligentes ou então cortantes. Instigantes e que fazem a pessoa pensar. Vamos ver?

Eu ainda caminhava, pensando em tudo o que havia acontecido naquele dia. Não havia muito o que fazer senão esperar o dia amanhecer e uma próxima descoberta. Aquele novo mundo que se abria era excitante e estranho ao mesmo tempo, fazendo com que meu corpo se arrepiasse de antecipação.

Agora uma frase de efeito para terminar o capítulo; essas frases têm ainda mais efeito se você as colocar num parágrafo só ela.

Eu mal podia esperar para destroçar alguns pescoços.

Foi uma frase meio pesada e mórbida, mais para Fictions de terror ou suspense. Vamos ver em outros trechos?

O corpo do jovem era impelido para frente e para trás, à medida que seu cavalo acelerava ou desacelerava. Já não tinha mais controle sobre o animal, e não pretendia ter. Vinicius queria apenas se afastar de tudo, procurar um refúgio e nele se esconder. Se fosse possível, jamais retornar.

Na verdade, esse é até um final de capítulo bem legal. Mas, já que essa dica é sobre frases de efeito, vou mostrar três frases, dentre infinitas possibilidades, que ficariam interessantes:

1) Mal sabia ele que voltaria àquele lugar em menos tempo do que imaginara.

2) Seu corpo exausto tremeu involuntariamente ao perceber que fora seguido.

3) Por que, ele se perguntava, por que tudo tinha de ser tão difícil?

Criar frases de efeito não é algo difícil de se fazer. Uma dica que não falha pôr em uma frase algo que mude completamente o rumo do capítulo. Voltando ao exemplo de Juliana e Diego e supondo que a história não fosse exatamente um romance, e sim uma aventura ou um suspense, vamos ver alguns trechos que ficariam muito legais de serem postos:

1) O coração de Juliana batia forte naquele momento, mas ela jamais teve a chance de dizer o que queria. Um tiro ecoou na rua escura e então teve início o pandemônio.

2) - O que você gostaria de me dizer? - perguntou Diego, ainda distraído. Olhava ao seu redor com certa agonia, escolhendo os caminhos mais escusos e escondidos para fugir de olhares curiosos.

- Ah, eu... - ela hesitou, tremendo mais violentamente. - Eu...

Diego fez um sinal para que ficasse em silêncio. O cheiro conhecido invadiu-lhe as narinas. E ele pôde farejar o perigo.


Não precisa ser uma frase longa, no entanto. Duas palavras podem dar um efeito bacana.

Nós não sabíamos o que aconteceria dali para frente, e tínhamos medo de descobrir. O sorriso cálido da garota me acalmava um pouco, mas não adormecia as dúvidas em minha mente. Eu não sabia quem ela era e ela não me conhecia. Mas nossos destinos estavam traçados e se cruzariam para sempre.

Era inevitável.


Essa idéia de deixar no ar um certo suspense só dá para pegar prática treinando. Então... vamos treinar?

Como vi várias pessoas dizendo que não têm tempo para fazer os exercícios, vou colocar uns bem curtinhos, para não tomar o tempo de ninguém:

1) Usando a palavra ROGAR (pedir, implorar) ou derivados, escreva duas terminações de uma frase apenas para os trechos a seguir:

a) Desistimos de caminhar e nos sentamos na beira da praia. Eu podia perceber a ansiedade de Geórgia para que eu lhe contasse o que me acontecera nesses últimos dias, mas eu não tinha certeza de que era capaz de abrir meu coração, mesmo para ela.

b) Renato sorriu de volta para Claudia, pegando-lhe a mão.

- Você está gelada - ele observou, rindo.

- Ah, é - ela deu um sorriso sem-graça, ocultando sua preocupação. - Eu sou sempre gelada.

- Mesmo?

Claudia alargou o sorriso, os olhos misteriosos como os de um gato.

c) O sangue escorria pelo ferimento no tórax de Beatriz, mas Angela se recusava a permitir que a amiga morresse daquela forma. Não era certo. Não era justo. Não depois de tudo pelo que haviam passado! Não podia terminar assim.]]>
http://fanfics.animespirit.net/aulas/continua-no-proximo-capitulo/comentarios.xml
<![CDATA[Escrita Avançada parte 2]]> http://fanfics.animespirit.net/aulas/escrita-avancada-parte-2/ http://fanfics.animespirit.net/aulas/escrita-avancada-parte-2/#comentarios Sat, 12 Sep 2009 13:00:21 GMT http://fanfics.animespirit.net/aulas/escrita-avancada-parte-2/ Olá, Ficwriters! Primeiramente, desculpem a demora para postar esta aula, eu realmente estava ocupada estes tempos. Segundamente... essa imagem não é tudo de bom? Achei-a muito criativa.

Terceiramente e mais importante, eu gostaria de retificar uma observação da aula passada e explicá-la melhor. Foi uma questão levantada por uma leitora, dizendo que existem sim livros em que o nome do personagem precede sua fala, de escritores bem reconhecidos. Isso é verdade, mas geralmente se aplica ao teatro, o que não é nosso objetivo aqui.

Foi o que respondi por LV, mas uns dias atrás me ocorreu já ter lido um livro em que aparecia o nome da personagem, dois pontos e então a fala. E foi num texto de Machado de Assis, não voltado ao teatro. A ocasião? Um capítulo fora do comum, em que os personagens não diziam nada, a não ser "...", "...!", "?". Sim, um capítulo só com pontos! Eu aaacho que foi em Dom Casmurro, mas não posso ter certeza, porque faz anos que li esse livro.

Então peço desculpa aos meus leitores e peço que, mesmo assim, evitem usar nome, dois pontos e depois a fala. Continua ficando feio. E Machado só usou nessa ocasião, pelo que me lembre.

De qualquer forma, não estamos usando os escritores clássicos como parâmetro. A escrita deles é maravilhosa... mas já morreu. Não me lembro de ter lido um escritor moderno que usasse o estilo de Machado.

Se alguém souber, me avise!

Voltando:

Nesta aula, vamos fazer uns exercícios de Escrita Avançada, com o objetivo de sair do comum.

Aula passada, na parte 1, aprendemos a usar verbos diferentes para descrever ações bastante comuns, como "falar", "andar" e "gritar".

Aqui vamos usar uns adjetivos diferentes e aprender a descrever uma cena com Ponto de Vista (POV)! Existe um movimento literário chamado Realismo, e um de seus maiores autores é Aluísio de Azevedo. Bom, esse escritor é bem famoso por descrever seus personagens como animais, o que dá para perceber em O Cortiço e O Mulato, por exemplo.

O modo de ele escrever é bastante direto (chegando a quase ser "rude") e um tanto pessimista. Mas a lição que podemos tirar com o Aluísio é a de usar termos geralmente aplicados a animais, apenas para descrever pessoas.

O problema de escrever é que nós só dispomos de palavras e pontuações para expressar vários sentimentos. Usando o exemplo do livro Preconceito Lingüístico (agora sem trema! Mais adiante posto uma aula sobre as regras novas), de Marcos Bagno, tentem dizer "Fogo!" com diversas expressões: de medo, tristeza, agonia, surpresa. É sempre a mesma entonação?

Claro que não!

Então uma boa coisa é descrever o sentimento da personagem ao dizer as frases, evitando escrever simplesmente:

- Você queria me dizer alguma coisa?
- Sim, mas fale baixo! Podem nos ouvir - murmurou F.


Apontando o verbo usado, "murmurar", que é legal de se usar. Dá para pôr também "sussurrar". Mas como foi que F disse essa frase? Já sabemos que foi baixinho. Mas com surpresa, indignação, raiva? Como o leitor vai saber?

Simples. Diga a ele!

- Você queria me dizer alguma coisa?
- Sim, mas fale baixo! Podem nos ouvir - murmurou F., olhando ao redor com nervosismo.


Prontinho, agora sabemos que F estava nervoso. Não é para usarmos esse recurso o tempo todo, senão o texto fica muito carregado. E se for uma cena dinâmica, descrever demais tira um pouco desse dinamismo. É preciso ter bom senso!

Lição 1 do dia então foi: Falas não são só falas! Expresse o que o personagem quer dizer.

A dica de agora é sobre PDV (Ponto de Vista), também conhecidos como POV (Point of View).

Numa história que seja contada em primeira pessoa, o POV é essencial e deve se ter cuidado para não dar informações demais ou de menos. Em terceira pessoa também é interessante usar as dicas daqui. Então mãos à obra!

Quando uma pessoa que tem medo do escuro é obrigada a andar por um cemitério deserto à meia-noite, é certo que ela vá sentir bastante medo. Veja a cena a seguir.

Eu andava devagar pelo cemitério, a luz da lua não ajudando muito. Era minguante e não iluminava o chão tanto quanto eu gostaria. Eu tinha medo do escuro, e ele agora me invadia e fazia tremer minhas mãos. Caminhei apavorada por mais alguns metros, até que encontrei o que procurava. A cripta vazia.

Agora ponha-se no lugar do personagem. Você tem pavor do escuro e está num cemitério. Será que simplesmente andaria por aí, tremendo e meio chateada que a lua está minguando?

Sim, eu acredito que sim. Mas alguns detalhes podem fazer seu texto criar mais vida e se pôr no lugar da personagem sempre ajuda. Um cemitério à meia-noite... que espécie de barulhos deve fazer? Que cheiro deve ter? Será que ouviu um gato, uma coruja, o crepitar de um galho se quebrando? Será que não dá vontade de chorar e sair correndo?

Veja o texto reescrito:

Eu andava devagar e hesitante pelo cemitério, a luz da lua não ajudando muito. Era minguante e não iluminava o chão direito, criando sombras longas e assustadoras. Minha respiração estava presa, pois eu temia fazer barulho demais - o silêncio daquele lugar era medolho. Mesmo meus passos eram suaves, mas pareciam ecoar dez vezes mais alto e meu coração dava saltos a cada som. Eu ria baixinho com histeria ao constatar que era apenas o vento, ou um gato.

Eu tinha medo do escuro, e naquele momento estava aterrorizada. Tudo parecia mais lúgubre à medida que eu avançava, lutando o tempo todo contra a vontade de voltar. Então eu divisei a forma do que estava procurando, apesar dos meus olhos cheios de lágrimas. A cripta vazia estava lá.


O texto ficou mais descritivo, mostrando as reações físicas a uma situação psicológica. Isso é interessante e faz o leitor se identificar melhor com a personagem (não porque ela está atravessando um cemitério, mas porque ela tem reações de pavor. Não simplesmente anda por aí). E não é isso que a maior parte das pessoas faria? Teria medo e vontade de fugir?

Agora, se seu personagem foi criado num cemitério ou não tem medo de nada, a situação é outra. Veja agora outro personagem atravessando o mesmo lugar, à mesma hora.

O coveiro olhava para o céu, procurando por nuvens que indicassem que choveria mais tarde. Conseguia ver algumas estrelas, e isso o animou. Nada de chuva. Assobiou baixinho e pôs as mãos no bolso, andando a passos lentos. Gostava da atmosfera calma daquele lugar, e à noite tudo ficava ainda mais silencioso. A lua estava minguando, mas era suficiente para ele enxergar. Ouviu um gato miando e sorriu para si mesmo. Dionísio era o gato de sua vizinha, e sempre fugia àquela hora para vê-lo. Tirou do bolso um pedaço de carne e atirou para longe, na direção do som. O bichano iria se fartar.

Desmanchou o sorriso e andou a passos mais rápidos pelo cemitério até encontrar o que procurava. A cripta vazia se estendia à sua frente, nem um pouco alterada nos últimos anos. O nome da laje estava ilegível, mas logo haveria um novo. O sórdido homem sorriu.


Perceberam? Você mal nota que é um cemitério, até que ele diz estar em um.

Isso é o ponto de vista, e está em terceira pessoa. Pessoas que não vivenciaram certas situações têm uma noção diferente de outras que vivem aquilo. Notam pequenos detalhes que já passam despercebidos a quem passa por ali todo dia. E isso vale não só para lugares, mas para situações diversas.

Lição 2 do dia foi: ponha-se no lugar da personagem e imagine o que ela estaria sentindo, fazendo ou pensando naquela situação.

Vamos praticar?

1) Descreva a seguinte situação para duas pessoas diferentes: ele ou ela acordou e descobriu que estava numa ilha deserta. Não sabe o que aconteceu, mas sabe que tem que sair dali. Mas o que fazer?

2) Usando a palavra SUCUMBIR (cair, desistir, ser derrotado) ou seus derivados, escreva no mínimo um parágrafo de sete linhas sobre um rapaz de 17 anos que se vê no meio de uma verdadeira guerra épica.

Dica 1: a guerra pode ser nos tempos de hoje ou não; pode ser no estilo O Senhor dos Anéis ou então uma Guerra Mundial. Ou mesmo uma guerrinha de escola. A imaginação é por conta de vocês.

Dica 2: Só porque o personagem tem 17 anos e está numa situação que exige maturidade, não significa que ele precise ter medo. Ele pode ter medo? É claro! Eu ficaria apavorada numa situação dessas. Mas quem sabe como ele vai reagir, ou mesmo como ele entra nessa história, são vocês.

Obrigada por lerem!

Novamente pedindo para que não copiem os textos, pois são de minha autoria.

Fontes: Preconceito Lingüístico, de Marcos Bagno.
Site de Júlio Rocha, autor de Teia Negra (http://www.jrocha.com.br/)

Até semana que vem!]]>
http://fanfics.animespirit.net/aulas/escrita-avancada-parte-2/comentarios.xml
<![CDATA[Escrita Avançada parte 1]]> http://fanfics.animespirit.net/aulas/escrita-avancada-parte-1/ http://fanfics.animespirit.net/aulas/escrita-avancada-parte-1/#comentarios Thu, 27 Aug 2009 21:08:49 GMT http://fanfics.animespirit.net/aulas/escrita-avancada-parte-1/
Esta aula foi baseada em algumas Fictions que temos lido e percebemos, além dos problemas anteriormente discutidos, textos muito secos e diretos.

Claro que, no mundo atual, rapidez e eficiência são primárias e prioritárias, mas isso não significa que devamos deixar o texto tão enxuto a ponto de se tornar... simplório.

Um exemplo clássico:

Ele se levantou, com uma cara brava.
Fulano: Volte aqui, seu covarde!


Hum, ok. Vamos presumir que o que tenha acontecido antes tenha sido uma briga e Fulano levou um soco tremendo, caiu no chão e daí gritou para o agressor, que estava fugindo, para ele voltar.

Para começar a aula de Escrita Avançada (só lembrando que é bom você já ter alguma fluência na gramática e ortografia... senão fica muito feio!), vamos declarar uma coisa. Ponha a mão no peito, erga o queixo, infle o tórax e repita comigo:

Jamais colocarei o nome do personagem seguido por dois pontos antes da fala do mesmo.

Combinado? Porque não fica feio. Fica INACEITÁVEL. Onde, pela minha santa ignorância, você já viu em algum livro decente uma história que põe o nome do personagem na frente da fala? E que, quando o pesonagem é misterioso ou desconhecido, em vez do nome, coloca:

??: Bla bla bla

IINTERROGAÇÕES! Tudo bem que eu seja uma pessoa que costuma ter reações exageradas, todavia tenho absoluta certeza de que não estou reagindo com demasia ao dizer que ISSO NÃO EXISTE!!

Sou a favor de neologismos e modernismos, desde que não tornem o texto deformado, cansativo ou ilegível. Custo a me acostumar e posso ter preconceito contra textos moderninhos demais... mas nada que um respirar fundo e esvaziar a mente das discriminações não resolva.

O uso do travessão é PEREMPTÓRIO (obrigatório) nesse caso. Uma alternativa colocar as falas entre aspas, embora isso seja mais comum no exterior do que no nosso país. Quando se coloca o nome do personagem na frente, acredite, as pessoas não lêem. Elas passam direto para a fala. Além disso, tira boa parte da beleza do texto.

Essa foi a lição um do dia: use travessões ou aspas.

A grande sacada de ser um escritor não é saber escrever com mesóclises, não é ter a gramática na cabeça, não é nem mesmo decorar oitocentos e noventa e três sinônimos para qualquer palavra do dicionário. Ser um Ficwriter ou um escritor é saber manejar bem as palavras.

Exemplo?

Não repetir várias vezes a mesma palavra num parágrafo. Veja:

Ele não se deu o trabalho de ler a pesquisa. Apesar de ter dado muito trabalho a Siclana, a pesquisa foi apenas ignorada, pois seu irmão já fizera outra pesquisa mais completa e detalhada.

Hum. Três linhas, três pesquisas, dois trabalhos. Isso denota pobreza vocabular, e não é algo que você queira no seu texto. Então, quando falei que não precisava saber diversos sinônimos para todas as palavras, eu realmente quis dizer isso. É claro que é sempre bom sabê-los, mas na maior parte das vezes dá para simplesmente eliminar a palavra ou substituir por expressões fixas.

1) Ele não se deu o trabalho de ler. Apesar de ter custado muito a Siclana, a pesquisa foi apenas ignorada, pois seu irmão já fizera outra mais completa e detalhada.

2) Ele não se deu o trabalho de ler a pesquisa. Apesar de ter exigido muito esforço, o estudo foi apenas ignorado, pois seu irmão já fizera outro levantamento de dados, mais completo e detalhado.

Duas maneiras de consertar o parágrafo, qual está certa?

As duas. Qual é melhor?

Aí depende do gosto do freguês. Como penso já ter mencionado, não estamos aqui querendo manipular o texto de vocês e bitolá-los a uma forma pronta, uma receita para seguir. São dicas, mas a história é de vocês! Muitos escritores concordam, no entanto, que menos é mais.

Ou seja, vários deles concordam entre si que quanto menos enrolado e rebuscado o texto for, melhor. Não cansa o leitor, há menor chance de repetição e vai direto ao ponto. Naturalmente, quem prefere um texto mais longo e rico em sinônimos, esteja à vontade. Relendo o parágrafo reescrito em 2, não ficou ruim, ficou? Claro que não. Ele não está enrolando ou repetitivo. O 1 está apenas ligeiramente mais objetivo.

Não é muito fácil evitar repetir palavras; todos acabamos fazendo-o, quer queiramos, quer não. Uma dica que sugiro é você reler sua Fanfiction pelo menos duas vezes antes de entregá-la, dando um intervalo entre uma revisão e outra.

Na primeira vez, releia para procurar por incoerências e ver se o texto está legal. Se você gostou, então é provável que esteja bom (eei, nem todos gostam do mesmo estilo que você, então não se chateie se receber críticas mesmo assim).

Na segunda vez, procure por erros de gramática, de pontuação e por palavras repetidas. Não veja o sentido das palavras, apenas pense como um robô: é ruim no começo, mas você vai se acostumando. É passar um pente fino maquinal para que não fique feio o texto. E não pense que estamos tentando fazer vocês "pensarem como robôs", como acabo de colocar.

Há o momento em que você cria o texto, com toda sua imaginação à prova. Há o momento em que você revisa o texto, pensando na história. E há o momento em que você tem de ser mais caxias e ver o que tem de errado, quando a história estiver legal.

Então lá foi a lição número dois: revise o texto e evite repetir.

Agora vamos à terceira e última lição desta aula.

Habitue-se a procurar por novas maneiras de dizer ações comuns. Em vez de sempre escrever:

- Não foi o que eu quis dizer - disse J.
- Mas foi o que entendi! - F. gritou.


Procure expressar exatamente o que os personagens sentem! Quando alguém grita, será que apenas grita? Será que não cerra os punhos, ou então trinta os dentes logo depois, chora, bate o pé? Será que ele apenas gritou ou estava sentindo algo tão forte que hegou a gritar muito, muito alto? Se esse foi o caso, dá para usar "berrou" ou "urrou" no lugar, além de outros. Se foi um grito assustado ou surpreso, dá para usar "exclamou".

E "disse"? Qual é, esse verbo é mais velho do que piscar os olhos. Não estou dizendo para não usar - apenas não use o tempo todo. Há maneiras diferentes e mais dinâmicas de expressar os sentimentos e pensamentos dos personagens.

Veja uns exemplos:

1) - Eu disse que não ia dar certo! - guinchou D., entrando em pânico.

2) - Quando foi que te decepcionei? Venha me ajudar se for homem! - desafiou E., lançando um olhar estreito ao amigo.

3) - Eu já disse que te amo - grunhiu V., de mau humor. Suas bochechas sempre ficavam rubras quando Z. o obrigava a dizê-lo de má vontade. Mas, se não fosse obrigado, Z. sabia que V. jamais admitiria.

Beleza. Segue uma atividade tranquilinha para vocês.

QUESTÃO

1) Liste pelo menos seis palavras que poderiam substituir os seguintes verbos:

a) dizer
b) gritar
c) bater
d) andar

Até semana que vem!]]>
http://fanfics.animespirit.net/aulas/escrita-avancada-parte-1/comentarios.xml
<![CDATA[Internetês - sim ou não?]]> http://fanfics.animespirit.net/aulas/internetes---sim-ou-nao/ http://fanfics.animespirit.net/aulas/internetes---sim-ou-nao/#comentarios Mon, 17 Aug 2009 01:48:32 GMT http://fanfics.animespirit.net/aulas/internetes---sim-ou-nao/ A grande pergunta que não quer calar: até onde posso usar o Internetês?

Na redação do colégio, NÃO.

Na sala de bate-papo, SIM.

Na sua Fiction... hum... vamos analisar?

Para começo de conversa, o Internetês é uma linguagem que surgiu por causa das janelas de conversa pela Internet, especialmente o MSN e afins. Como a comunicação teve de acompanhar a agilidade do cotidiano, ela também foi encurtando.

Frases como "Oi! Como você está?" tornaram-se meros "oi cm vc ta?".

E, para horror dos nossos olhos, geralmente são substituídos por emoticons brilhantes e rebolantes escritos "OIII!" ou "VC!!!!!!", cada vez que essas palavras são escritas. Então, numa Fanfiction? EVITAR! A TODO CUSTO!

Em que situações usar o Internetês pode ser ACEITÁVEL?

(*) CONVERSAS DE MSN NA FICTION - aí, por motivos óbvios, dá para usar. Só não exagere, se, por exemplo, você escrever um capítulo inteiro de conversas no MSN.

(*) COMÉDIAS - Não é certo e tira a qualidade do texto... mas se você consegue fazer humor mesmo assim, então está valendo!

Em que situações usar o Internetês é completamente ABOMINÁVEL?

(*) ROMANCES - Visualise a seguinte cena:

"A água refletia a luz leitosa da lua, cujos raios tocavam suavemente a pele de Rosalinda. Ela sorriu, tentando disfarçar o tremor das mãos, quando Heitor se aproximou para beijar-lhe os lábios."

Lindo, romântico, flores e corações. Está bem. Agora veja isso:

"a agua rfltia a luz leitsa d lua, cjs raios tocavam suavmnt a pele d ros. ela sorriu, tentand disfarçar o tremor das maos, qd heitor se aprox. para beijar lhe os labios."

Para começar, uma pessoa que não se dê o trabalho de pôr maiúsculas, minúsculas e vogais em seu devido lugar, NUNCA vai usar uma linguagem rebuscada dessa. Luz leitosa? Tocar suavemente? Nem em seus sonhos mais loucos!

(*) LUTAS - As palavras podem dar a alguém a impressão de conseguir enxergar uma cena, apesar de ela estar apenas escrita. Ou fazer o leitor fazer uma careta. Mais exemplos:

"Um golpe forte acertou em cheio Felipe no rosto, e um estalo foi ouvido a uma boa distância. Os espectatores prendiam a respiração, enquanto Tobias recolhia a mão cheia de sangue com um sorriso vitorioso, no qual faltava um dente.
- Não pense que vai ficar assim - gemeu Felipe por entre os dentes, sentindo o sabor doce do próprio sangue. - Não vou deixar barato."

Não vou reproduzir na versão Internetês exatamente com esse texto. Mas duvido que seria algo muito diferente de:

"tobias deu um soco em felipe, q disse
- nun pense q vai ficar assim. n vo deixa barato"

(*) DRAMA - Ok. Então a regra básica é NÃO USE INTERNETÊS para todo e qualquer estilo de história que esteja escrevendo, a não ser que se passe na Internet. Você pode cometer qualquer erro, qualquer atrocidade, mas JAMAIS escreva um drama em Internetês.

"Floriana chorava, e o gosto salgado das lágrimas, tão conhecido!, enchia sua boca e fazia sua língua identificar o sabor amargo da perda. Seu peito dóia e a dor não parecia ser passageira. Era para sempre, e Floriana sabia."

Um drama é composto de palavras geralmente fortes, não muito felizes, carregadas de emoções. Emoções essas que são completamente deturpadas quando se usa o Internetês!!



Escrever mal, especialmente usando Internetês, dá uma FORTE e nítida impressão ao leitor de um desleixo. E textos mal-cuidados não são lidos com a mesma "primeira impressão" do que um texto bonito, limpo e claro.

Aprendemos uma boa lição, hoje. Eu sei que a maior parte de vocês já deve saber disso, mas esta aula é uma prévia da aula de Escrita Avançada, que vou preparar para esta semana.

O que é Escrita Avançada?

Vamos reler o exemplo de luta outra vez:

1 - "Um golpe forte acertou em cheio Felipe no rosto, e um estalo foi ouvido a uma boa distância. Os espectatores prendiam a respiração, enquanto Tobias recolhia a mão cheia de sangue com um sorriso vitorioso, no qual faltava um dente.
- Não pense que vai ficar assim - gemeu Felipe por entre os dentes, sentindo o sabor doce do próprio sangue. - Não vou deixar barato."

2 - "Tobias deu um soco em Felipe, que disse:
- Não pense que isso vai ficar assim. Não vou deixar barato."

Notaram a diferença?

Explico melhor na aula de Escrita Avançada! Apenas para deixar adiantado: E.A. vai ser um resumo das aulas de Como escrever uma cena de luta, Como escrever um romance etc.



QUESTÕES:

1) Utilizando a palavra FÉTIDO (algo que cheira mal, fedorento), escreva um curto parágrafo curto utilizando linguagem altamente formal.

2) Escolha um parágrafo em Internetês (pode ser uma conversa sua no MSN, uma Fiction que você leia ou um parágrafo inventado mesmo) e passe para a linguagem formal.

Obrigada!]]>
http://fanfics.animespirit.net/aulas/internetes---sim-ou-nao/comentarios.xml
<![CDATA[Como dar vida aos personagens parte 2]]> http://fanfics.animespirit.net/aulas/como-dar-vida-aos-personagens-parte-2/ http://fanfics.animespirit.net/aulas/como-dar-vida-aos-personagens-parte-2/#comentarios Sat, 15 Aug 2009 18:46:14 GMT http://fanfics.animespirit.net/aulas/como-dar-vida-aos-personagens-parte-2/
Parabéns, você sabe exatamente como eles serão no princípio da história. E agora?

Existem dois tipos de personagens: os planos e os esféricos. E, logicamente, com isso eu não quero dizer “existem os magros e os gordos”. Dã.

Personagens planos são aqueles cuja personalidade é definida no começo da história e assim permanece. Se você criou uma mocinha boazinha, delicada e gentil, ela será boazinha, delicada e gentil até o fim. Esses tipos de personagens são muito comuns em vilões – eles são maus do início ao fim, com uma grande frequência.

Personagens esféricos, como dá para deduzir, são aqueles que vão evoluindo e mudando no decorrer da história. Por exemplo, muitas histórias que começam contando a infância do personagem até a vida adulta costumam mostrar as diferenças entre a criança e o adulto.

O que é melhor?

Nenhum dos dois é melhor ou pior. Algumas pessoas (inclusive um professor) já chegaram a dizer que personagens esféricos são muito mais complexos de se fazer do que os planos, já que você tem de trabalhar todo o aspecto psicológico que vai mudando do personagem. Mas não é bem assim!

Eu não sei qual a experiência de vocês no assunto, ou o quanto notam de mudança dos seus personagens; mas eu acho muito complicado manter o mesmo personagem do início ao fim! Até porque, quando começamos uma história, temos uma expectativa, um roteiro em mente. Mas, no decorrer dela, percebemos que uma coisa ou outra vai ter de mudar e, em muitos casos, terminamos a história de uma maneira completamente diferente do que começamos! Como é que vamos manter os mesmos personagens com roteiros são diferentes?

Eles tem de se adaptar, evoluir junto com o texto. Até porque o autor que começa a história não é o mesmo que a termina (não se preocupem, não vão ser usurpados. O que eu quis dizer é que vocês evoluem também!).

O que se tem de tomar cuidado é para não fixar na mente: “meu personagem tem de mudar, ele tem de evoluir e ficar melhor...”

Mudar e evoluir não significam ficar melhores. Pense numa história que comece com tudo sendo flores; aí você decide matar todos os melhores amigos do(a) mocinho(a), fazendo com que ele(a) queira se vingar do assassino e, quando termina, foi uma chacina total e a vida dele(a) nunca mais será a mesma. Não dá para dizer que essa personagem mudou para melhor, dá?

E outra coisa: quem disse que é melhor o autor que escreve personagens esféricos? Dependendo da proposta da história, personagens planos são muito mais adequados! E na mesma história dá para usar os dois, que é o que acontece muito quando escrevo: uns evoluem, outros não.

O que acontece com os personagens planos, geralmente, é que eles são separados em duas categorias: bons e maus. Isso se chama MANIQUEÍSMO (uma boa palavra para acrescentar ao caderno de vocabulário), e é muito comum ter uma visão maniqueísta nas histórias. Afinal, toda boa história tem um vilão e um mocinho, certo?

Errado!

Nem toda história precisa ter um heroi perfeito e um alguém maléfico que quer arruinar (ou acabar com) a vida do mocinho. Em alguns livros muito famosos, o mocinho mesmo é o antiheroi! Como isso?

Simples: ele não é a pessoa perfeita. Ele tem qualidades, mas fez escolhas erradas e acabou se tornando uma pessoa não muito querida na sociedade. Exemplo disso são os livros Memórias de um Sargento de Milícias e Artemis Fowl (o Artemis é um exemplo de personagem esférico).

Mas só porque eles são ladrões irremediáveis ou frios como pedra, não significa que nós não os amemos incondicionalmente! Sim, devo confessar minha paixão por Artemis Fowl... ele é o ladrão maníaco mais querido que há! (na minha não muito confiável opinião XD)

Dá para fazer um mocinho super “do mal” que de vez em quando não é tão maléfico assim. E as pessoas continuam querendo que eles se deem bem no final, mesmo que sejam completamente pirados. Cada boa ação feita por esses antiherois é coroada por enormes sorrisos de “eu sabia que ele não era tão mau assim” dos leitores. Acredite, é verdade.

E dá para fazer ainda um vilão bonzinho que vai ser igualmente amado pelos fãs. Quem leu O Senhor dos Ladrões deve ter simpatizado com o detetive que deveria trazer de volta Bo e Próspero!

Então, na próxima Fiction que você escrever, dê uma pensada: como é que eu quero que meu personagem seja? Plano ou esférico?

Mas nem adianta planejar muito – os personagens acabam mudando (ou não) por conta própria. Escreva e eles farão o resto!

A lição de hoje não vai ter questões de treino, mas ficam as dicas de hoje, hein! Lembrem-se disso na próxima vez em que começarem uma história.

Ah, uma dica extra:

Personagens planos são melhores para histórias com comédia.

Já os esféricos são bons para histórias com drama ou conflitos psicológicos de qualquer espécie.

Obrigada por lerem!
]]>
http://fanfics.animespirit.net/aulas/como-dar-vida-aos-personagens-parte-2/comentarios.xml
<![CDATA[Tirando a Limpo]]> http://fanfics.animespirit.net/aulas/tirando-a-limpo/ http://fanfics.animespirit.net/aulas/tirando-a-limpo/#comentarios Fri, 14 Aug 2009 19:20:12 GMT http://fanfics.animespirit.net/aulas/tirando-a-limpo/
Então, vamos tirar a limpo?

(*) ANSIOSO – e não “ancioso”.

(*) VERBOS COM SSE – quando você quer dizer “se ele notasse”, o verbo é com sse, e não com –se (no caso, “nota-se”), o que dá um sentido completamente diferente! Veja:

1 – Eu jamais teria me tornado uma pessoa tão amarga se ela deixasse o egoísmo de lado e me abraçasse de vez em quando.

2 – Deixa-se o bolo esfriando por mais algumas horas, e então está pronto para comer!

3 – Antes que percebesse o que estava acontecendo, foi atingido por um objeto pesado na cabeça.

4 – Procura-se pessoa amável que goste de cinema e chocolate.

Na gramática mesmo, essa forma de do verbo menos o R e mais “-se” é chamada de voz passiva.

Hã? Voz quem?

Voz passiva é quando você evita dizer quem é que fez a ação. Na frase 2 e na 4, você pode dizer quem é que deve deixar o bolo ou quem procura uma pessoa? Essa forma é usada na maior parte das vezes para dar ordens ou para generalizar (lembrando que “na maior parte das vezes” não significa “sempre”!).

(*) CERTEZA DE QUE – e não “certeza que”. É uma expressão fixa, então não tem escapatória.

1 – Eu tive certeza de que o amava no momento em que o vi.

(*) FAÇO – e não “fasso”.

(*) SOZINHO – e não “sosinho”.

(*) CONSEGUIR – e não “conceguir”.

(*) DECEPCIONAR – e não “decepsionar”. E daí também vem “decepção”, “decepcionante”.

(*) CONVERSAR – e não “converçar”.

(*) VOCÊ – e não “vc”. Internetês fica muito feio numa Fictions.

(*) NÃO – e não “non” ou “naum”.

(*) DAR – e não “da”. Isso quando é o verbo que está sendo usado, é claro!

1 – Não havia como não dar atenção àquela menina estranha e barulhenta.

2 – Dar presentes de Natal é uma tradição.

Mas note que quando esse verbo é usado no presente, sua forma é “DÁ”, com acento e tudo!

3 – Eu acho que não dá para a gente sair esta noite.

(*) É – e não “eh”.

(*) COMIGO – e não “com migo”.

(*) DE REPENTE – e não “derrepente”.

(*) FAZ – e não “faiz”.

(*) POR ISSO – e não “porisso”, “poriso” ou “poriço”.

(*) OBRIGADA – quando for uma menina agradecendo, mesmo que seja a um garoto, diz-se “obrigada” e não “obrigado”. Depende da pessoa que está falando! Meninos dizem “obrigado” mesmo. Essa expressão é uma forma mais curta de dizer “estou obrigado(a) a você”, quando alguém lhe faz um favor.

(*) QUER – e não “qr”. O mesmo vale para quero.

(*) QUANDO – e não “qdo”.

(*) QUEM – e não “qm”.

(*) INCOMODAR – e não “encomodar”.

(*) QUE – e não “q”.

(*) Use minúsculas e maiúsculas - fica absolutamente horrível ler textos assim:

1 - O SOL AINDA SE PUNHA NO HORIZONTE DO RIO, MAS LUISA SE SENTIA CANSADA COMO SE FOSSEM ALTAS HORAS DA MADRUGADA NO ALASCA.

2 - o sol ainda se punha no horizonte do rio, mas luisa se sentia como se fossem altas horas da madrugada no alasca.

Sem contar que deixou ambíguo se "Rio" era o Rio de Janeiro ou um rio perto de onde Luisa estava.




Esses são os maiores erros de que consigo me lembrar por enquanto. Se vir algum outro erro comum, sinta-se livre para acrescentar nos comentários! Sempre nesse estilo:

(*) PALAVRA CERTA – palavra errada. Explicação, se quiser.

Obrigada!
]]>
http://fanfics.animespirit.net/aulas/tirando-a-limpo/comentarios.xml
<![CDATA[Vocabulário Extra parte 1]]> http://fanfics.animespirit.net/aulas/vocabulario-extra-parte-1/ http://fanfics.animespirit.net/aulas/vocabulario-extra-parte-1/#comentarios Thu, 13 Aug 2009 13:33:08 GMT http://fanfics.animespirit.net/aulas/vocabulario-extra-parte-1/
Por sugestão dada no Fórum, criamos este tópico de vocabulário, que será acrescido à medida que nos lembrarmos de outras palavras (ou descobrirmos!).

E uma dica para quem costuma ler na Internet: se você às vezes se depara com palavras que desconhece, mas tem preguiça de procurar no dicionário, uma boa estratégia é baixar um dicionário no computador! É bem leve e prático! Eu uso o do Priberam, que é na verdade de Portugal, mas talvez tenha algo no Baixaki, embora eu deva admitir que não procurei. Vale também procurar no Google, é claro.

As palavras que vamos apresentar aqui nem sempre são palavras novas que vocês nunca ouviram antes. Podem até ser conhecidas, mas não muito utilizadas nos textos.


(*) ESTOICO

Significa alguém firme, inabalável e rígido. Um bom sinônimo que você vai ver bastante em livros de linguagem mais rebuscada é IMPASSÍVEL. No dicionário você vai encontrar escrito como “estóico”, com o acento agudo. E isso está valendo, mas com as novas regras ortográficas, a partir de 2012 só vai valer o estoico!

Palavras relacionadas a estoico: estoicismo.
Palavras relacionadas a impassível: impassibilidade, passível.

Exemplos:

O assassino olhava para sua vítima com estoicismo, apesar das lágrimas e soluços da garota.

Não se sabia exatamente o que a baronesa pensava, pois suas feições continuavam impassíveis diante da notícia avassaladora.

Apesar de ter um nó na garganta a bloquear-lhe a fala, o detetive permaneceu estoico em sua decisão e contou a verdade aos presentes no salão.

(*) ESTESIA

Significa emoção, sensibilidade, amor ao belo, geralmente. Não confundir com SINESTESIA (confusão de sensações; quando uma única impressão causa diferentes sensações).

Palavras relacionadas a estesia: hiperestesia, hipestesia.
Palavras relacionadas a sinestesia: sinestésico.

Exemplos:

A estesia que me causava aquele quadro era inexplicável.

O sinestésico costuma ter pelo menos duas reações perante um estímulo: uma pessoa, ao ouvir sinos tilintando, alega que vê raios que a cegam momentaneamente, por exemplo.

(*) FLEUMA

Uma palavra que remete a ESTOICISMO, sendo quase sinônimos. Significa alguém que tem frieza de ânimo, impassível.

Palavras relacionadas a fleuma: fleumático.

O meu marido é uma pessoa muito fleumática, o que nos causa muitos problemas, já que sou uma pessoa explosiva, e toda sua impassibilidade me irrita.

- A fleuma em si não é algo bom – disse ela – porque exatamente como você pretende demonstrar paixões se não é capaz de pensar nessa palavra sem rejeitá-la?

(*) ALABASTRINO

Eis uma palavra que acho bastante interessante de se usar na descrição de pessoas. Significa literalmente algo que tenha relação com o alabastro. Na literatura é usado para descrever pessoas muito brancas e pálidas.

Palavras relacionadas a alabastrino: alabastro.

Exemplos:

A face alabastrina da moça encarava a carta deixada pelo pai, imaginando se a madrasta sabia de sua herança durante todos aqueles anos.

A estátua alabastrina remontava à religião politeísta, destoando do resto da casa, muito cristã.

(*) REGOZIJO

Significa alegria, prazer ou grande satisfação. Lembro-me de ter visto essa palavra mais de uma vez nos textos de Machado de Assis e também em O Primo Basílio. Um sinônimo elegante para se usar seria JÚBILO. E esse não tem nada a ver com o “jubilar” na faculdade.

Palavras relacionadas a regozijo: regozijar.
Palavras relacionadas a júbilo: jubiloso.

Exemplos:

A empregada ria em júbilo, escondendo a carta do amante debaixo do travesseiro e adormecendo com um sorriso no rosto.

Não se via um olhar feroz no rosto da esposa, apenas um sorriso cheio de regozijo que apavorou o marido, o qual soltou imediatamente a loira na qual estava enroscado até então.

Fontes: Priberam.

Todas as frases e textos são criação minha (com exceção dos significados, onde consultei o dicionário e minhas anotações, mas não copiei diretamente), por isso não usei aspas. Lembrando que, se citar alguma fala de outra pessoa, de um livro etc., sempre ponha entre aspas e mencione o autor.

Então, essa é a proposta do Vocabulário Extra. Como notaram, não vou passar uma lista gigante de palavras e o significado ao lado. As explicações e exemplos são para ajudar a fixar melhor; vou colocando aos poucos mais vocabulário, com poucas palavras em cada tópico para facilitar a memorização e compreensão.

Questões:

1) Escreva uma frase que contenha duas ou mais palavras apresentadas nesta lição.

2) Esta é mais uma sugestão do que uma questão mesmo: pegue um caderno velho, não muito grande, e anote as palavras daqui e outras que ocorram a você ou que você leia em algum lugar. Anotar sempre facilita a memorização.
]]>
http://fanfics.animespirit.net/aulas/vocabulario-extra-parte-1/comentarios.xml
<![CDATA[Como dar vida aos personagens parte 1]]> http://fanfics.animespirit.net/aulas/como-dar-vida-aos-personagens-parte-1/ http://fanfics.animespirit.net/aulas/como-dar-vida-aos-personagens-parte-1/#comentarios Wed, 12 Aug 2009 20:48:27 GMT http://fanfics.animespirit.net/aulas/como-dar-vida-aos-personagens-parte-1/
Então você quer criar uma Fiction. Independente de ser um original ou baseado em animês, bandas, séries, livros etc., você tem personagens aos quais dar vida, não é?

Pense em um livro do qual você goste muito (ou um animê, uma série...). Agora, com toda a sinceridade, diga o que é mais interessante: os personagens que nos cativam e chamam nossa atenção ou o roteiro da trama toda?

O fato é que boas histórias são compostas por bons personagens. Então, antes de você criar uma Fiction, pare e pense: o que eu sei dos meus personagens?

Eles amam, choram, riem, sentem, pensam, gesticulam, têm manias? Se eles são ranzinzas, por que eles são assim? Talvez uma história triste no passado deles, ou talvez as pessoas da família deles os criaram assim.

Quando uma pessoa descreve bem um personagem (lembrando que descrever bem é diferente de descrever muito. Mas disso falamos mais tarde), nem mesmo precisa dizer o nome dela em certas situações, pois os leitores já SABEM quem é.

Se eu disser, por exemplo:

"Ele ajeitou os óculos, um pouco tortos depois do último duelo, seus olhos verdes perscrutando o ambiente enquanto ele se levantava, ainda um pouco tonto. Crispou os lábios ao perceber que havia desmaiado e que seu inimigo fugira. Por que não o matara? Ajeitou o sobre casaco do uniforme e voltou para a Escola."

Identificou o personagem?

Tudo bem, pode ser que eu tenha trapaceado nessa, escolhendo um personagem que todos conhecem (Harry Potter, caso alguém não tenha identificado). Mas pense assim: você reconheceu o personagem por quê? Eu não mencionei nomes, nem artefatos mágicos (como a varinha, a vassoura ou poções), que teriam ajudado a identificar.

Para criar um personagem que possa ser identificado pela descrição (em alguns casos, a descrição psicológica é mais óbvia do que a física, então trabalhe bem os dois lados), é preciso que VOCÊ o conheça melhor do que ninguém.

Antes de escrever uma história, experimente pegar uma folha de papel e descrever seu personagem fisicamente, psicologicamente e... escrever a história dele.

Não, não é que você tem de resumir a sua Fiction numa folha só. Escreva a história dele - a infância, a adolescência, fatos marcantes como o primeiro amor, a morte de alguém querido. Se puder (e tiver paciência), escreva pequenas histórias - de não mais do que uma página - em que o personagem enfrente situações diversas: de medo, paixão, fúria, vingança...

Porque, afinal, mesmo que seja um personagem saído de animê e que todos conheçam, a Fiction é SUA e você é quem tem a liberdade de escrever o que quiser sobre eles. Mas, para dar à sua história um tom muito mais pessoal e fazer o leitor se identificar com o personagem, é preciso que você o conheça muito bem.

Ponha-se no lugar dele em situações em que você não tenha muita certeza de como eles agiriam. Se ele ou ela é uma pessoa fria e calculista, mas está enfrentando uma situação em que esteja acuado num beco sem saída por bandidos, por exemplo, o que faria? Primeiro pergunte-se o que você faria. Será que todas as pessoas continuam frias e calculistas quando estão sob perigo? Será que elas agiriam por instinto?

A essas perguntas, só você, autor, pode responder.


Fontes: Site do Julio Rocha, autor de Teia Negra


Questões propostas:

1) Pense em uma moça jovem, de aproximadamente dezesseis anos, cabelos castanhos e olhos verdes. Seu nome é Fernanda e ela estuda no ensino médio. Descreva uma situação aterrorizante em três a cinco parágrafos, mostrando como ela reagiu perante o perigo. Exemplos: atravessando um cemitério à noite, sendo atacada por marginais, perdendo-se numa mata escura. Só cuidado para não fugir muito do personagem.

2) Agora pense em uma personagem que você conheça. Utilize a palavra ININTERRUPTO (algo que não pode ser interrompido) ou derivadas e escreva menos de uma página sobre:

a) essa personagem encontrando a pessoa que ela ama, numa situação romântica.

b) o maior sonho da vida dessa personagem.

c) o pior dia da vida dela.
]]>
http://fanfics.animespirit.net/aulas/como-dar-vida-aos-personagens-parte-1/comentarios.xml
<![CDATA[Ponto e vírgula pode?]]> http://fanfics.animespirit.net/aulas/ponto-e-virgula-pode/ http://fanfics.animespirit.net/aulas/ponto-e-virgula-pode/#comentarios Tue, 11 Aug 2009 00:06:14 GMT http://fanfics.animespirit.net/aulas/ponto-e-virgula-pode/
Sejam bem-vindos às Aulas do canal de Fanfictions do AnimeSpirit! Como é a nossa primeira lição, vou fazer uma breve introdução, para dar a ideia geral da proposta das aulas.

(*) Vai ter dever de casa?

R: Para os que se interessarem, sim. Algumas atividades terão gabarito (respostas), outras serão pessoais demais para serem corrigidas (uma produção de texto, por exemplo). Faz quem quiser, naturalmente, mas acho que é muito interessante fazer todas as atividades.

(*) Posso tirar dúvidas?

R: Claro! Estamos aqui para ajudá-los, então se sintam livres para escrever aqui ou no fórum (com o assunto Aulas) para tirar dúvidas.

(*) Qual o objetivo das Aulas?

R: O objetivo é melhorar a escrita dos Ficwriters e ajudá-los a ter cada vez melhor qualidade nos textos, não só aqui no canal de Fanfictions, mas podendo colaborar até mesmo com o rendimento escolar. Serão dadas dicas de ortografia, gramática e produção de texto (porque um texto não é feito apenas de palavras bonitinhas conjugadas certinho. É preciso ter personalidade!)

Essas foram as questões que me ocorreram, mas vou sanando quaisquer outras que venham a surgir. Beleza?

Mãos à obra!

Tema de hoje: Pode usar ponto e vírgula no texto?

Sim, pode!

O ponto e vírgula é um dos temas mais delicados para nós, brasileiros. A maior parte das pessoas sabe de cor quando se deve colocar no texto, mas não sabe exatamente o que isso significa e como pode ser efetivamente usado.

"O ponto e vírgula é usado para denotar pausas não tão longas quanto o ponto final e não tão curtas quanto a vírgula"

Uaaau, falou tudo. Não sei vocês, mas eu nunca entendi qual era a do Sr. Não Sou Longo Nem Curto. Não até começar a prestar atenção em como ele era usado em livros, revistas, textos cibernéticos etc. A que conclusão cheguei? Bom, o ponto e vírgula é mais curto que o ponto e mais longo que a vírgula. A diferença é que eu podia ver a aplicação prática disso. Então lá vão as dicas de hoje:

1) Separar duas ou mais ideias enumeradas. Assim:

O general nunca soube qual foi o erro que levou à degeneração de sua unidade, levando-a à ruína. Sempre se considerara um bom oficial: era rígido com os subalternos, mas sempre educado; era razoavelmente generoso com as promoções; nunca demonstrara covardia ou medo perante seus homens.

2) Separar orações coordenadas*:

Ela gastou, em uma noite, mais folhas do caderno do que em uma vida; porém sentia que nunca, por mais que tentasse, conseguiria expressar o que sentia.

Liciane sabia que havia algo de errado; apenas não sabia dizer o quê.



* orações coordenadas são aquelas que podem ser separadas e seu sentido não é perdido. Para saber que duas orações são subordinadas ou coordenadas, separe-as e veja se ficam com sentido.

Ex 1: Ele não sabia / que era feliz -> subordinada.
Ex 2: Ele não sabia / mas estava certo -> coordenada.

Fontes:
Meus cadernos (uh, sinto muito, sem gramáticas)
Yahoo! Respostas (http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20080101115719AArdu3X)



Questões para treinar:

1) Produção de texto: escreva um parágrafo que contenha um ponto e vírgula e use a palavra INTELIGÍVEL (compreensível, o que se pode entender) ou derivados dela.

2) Substitua um ponto ou uma vírgula por um ponto e vírgula nas frases abaixo (não tem necessariamente apenas UMA resposta certa):

a) Sentiu que sua hora havia chegado, era esse o momento de fazer a última coisa que faria naquela encarnação. Suspirou e calou-se.

b) Então, como pensávamos, o bichano era o maldito culpado. Arranhava, destroçava, mordia e salivava em cima do móvel antigo de nossa avó, completamente de mogno e muito caro, cujos destroços agora jaziam num canto escuro.

c) Era mais de um maltrapilho: o primeiro, um senhor de meia idade, grisalho e ranzinza. O segundo, um rapazola de dezesseis anos e sardas. O terceiro não devia ter cinco anos.




Sugestões estão abertas para os próximos temas. Opinem no Fórum!

Até a próxima :*]]>
http://fanfics.animespirit.net/aulas/ponto-e-virgula-pode/comentarios.xml