Fanfic No Balanço do Amor - Capítulo 23


Postado em 13/12/2009 21:30

Personagens Sakura, Naruto, Sasuke, Ino, Temari, Tenten, Hinata, Gaara, Shikamaru, Neji, Hiashi, Itachi, Deidara, Konan, Sasori, Tayuya, Kiba, Homem, Shikamaru E Temari, Tenten E Shikamaru, Tebteb, Temari E Itachi, Deidara E Sasori, Antony, Tayuy
Tags Sasuke, Sakura, Amor, Festa, Amizade, Konan, Temari, Neve, Sangue, Volta, Verdade, Confissões, Sempre, Meninas, Briga, Verdades, Respostas, Felicidade, Tempo, Hip-hop, macarronada, Balé, sapatilhas, sapatilhas novas, Rebelde, Retrato, Amor, Lágrimas, Solidão, Amor, Liberdade, Traição, Retorno, Amor, Marionetes, Fios, Amor, Lágrimas, Hospital, Dor, Trilhas

NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela., Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Musical (Songfic), Hentai, Ação, Aventura e Luta, Drama (Tragédia)


 

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Não terminada
 

Capítulo 23 - Trilhas


Trilhas[centro]

[centro]Um mês se passou



Uma noite fria e escura. Típica de primavera. Pegou seu casaco e saiu rua afora, com uma dor no peito, uma dor sem nome. Talvez tivesse nome. Um nome que conhecia muito bem, um nome que lhe causou muitos problemas. Um nome que parecia ter pontas afiadas em cada letra, fazendo com que machucasse seu peito toda vez que pensava nele. Sakura. Um nome simples para uma menina especial. Para uma menina de belos olhos, tristes e sozinhos, que tentava enfrentar o mundo com coragem. Seria injustiça dizer que não enfrentava?
Sorriu. Ela era a sua rebelde, o seu tesouro. A única parte viva de sua antiga e falecida esposa.
“Que saudades, Hanna.” – pensou com tristeza.
Antony já estava na rua, andando depressa. A pesar de estar cansado, precisa ensaiar para uma apresentação que faria num barzinho conhecido da cidade. Não para ele.

- Eye of Pirate? Será que é isso mesmo? – perguntou a si mesmo. Tinha uma banda de jazz que agitava as noites movimentadas de Nova York. Mas era apenas mais um show.

Já achava que estava pedido. Passando por uns becos escuros e estranhos. Nunca foi um homem de sentir medo, mas o abandono político e social daquele lado da cidade lhe dava arrepios.
Andou mais alguns metros entre um corredor estreito e escuro entre dois prédios escuros e aparentemente, abandonados. Saiu sentindo calor e uma vontade de desistir tentadora. Estava mais perdido ainda. Por sorte, perto dali havia um grupo de jovens. O receio de lhes perguntar alguma informação foi vencido pela necessidade.

- Oi, me dêem licença?! – perguntou rígido, tentando ser gentil.

- Ora, olha quem temos aqui?! Um velhote! – a risada outros cinco meninos que estavam com o suposto “líder” daquela turma o intimidou. - O que quer, cara?!

- Só uma informação. Para que lado fica o Eye of Pirate? – a feição desafiadora do garoto se desfez, e o alívio tomou conta dos joelhos e ombros de Antony, quase o fazendo cair.

- Bom, você pode ir... – Um barulho alto interrompeu o garoto que falava. Um carro preto corria com pressa, e os olhos experientes de Antony logo avistaram canos pretos para fora das janelas do carro. Quando tentou se abaixar, um estrondo ensurdecedor invadiu seus ouvidos como uma pancada, obrigando-o a colocar as mãos nas duas orelhas. Fechou os olhos com força, abaixando-se no chão rapidamente. Ficou com as mãos nas duas orelhas por um tempo indeterminado, que pareciam ser horas.
Silêncio, depois do tumultuo.

Arriscou em abrir os olhos. Ao seu lado, o menino que lhe dava a informação estava caído. Teve vontade de chorar. Um rosto tão jovial que aparentava ter a idade de sua própria filha. Seus olhos continuaram a acompanhar a trilha que o sangue fazia na camiseta do menino, quando sentiu uma dor. Tão forte que quis gritar. Parecia que tinham o furado. Olhou para baixo, e então pode ver um buraco na região abdominal e outro no peito.
Ao mesmo tempo em que pôde ouvir as sirenes da polícia, caiu de joelhos e desmaiou. A cabeça pesada, os olhos forçando um sono não desejado, como se o sangue que estava saindo puxasse consigo sua consciência.

~*~

Depois daquele terrível semana, na qual ninguém mais falava, tudo tinha voltado ao normal. Nem tanto, mas todos estavam agüentando a barra com muita coragem. Mas sempre faltava um lugar na sala de aula, na mesa de piquenique no intervalo. Sentiam falta daquela menina que chegava na sala de aula emburrada e depois desatava a rir com uma das piadas de Naruto.

O que menos falava era Sasuke. A vida não estava sendo tão boa para ele. No mesmo dia, pensou que iria ter um pedaço arrancado de si. Estava ouvindo a música que ela mais gostava de dançar. O piano de fundo fazia com que seu coração batesse no mesmo ritmo. Estava tão cansado que sentia seus joelhos grudados ao chão, como se o piso de madeira polida estivesse engolindo-o, como areia movediça. Ele desejava a morte. Sabia que não tinha nenhum direito sobre a menina que ele tinha magoado, mas ele a amava, e era tarde demais para procurar qualquer desculpa que fosse. E agora, ela não estava ali, nem para ver as lágrimas silenciosas de agonia, que caiam no rosto dele, molhando sua pele, cavando mais uma ferida.
Mas o que mais lhe doeu foi ver uma caixa, ao fundo da sala. Poderia engatinhar para alcançá-la, mas queria salvar o resto de dignidade que lhe sobrava. Abriu a tampa, e entrou num torpor permanente. Um par de sapatilhas descansava ali dentro, uma do lado da outra, abandonadas e empoeiradas.
Desde então, nunca mais saiu do torpor. Os amigos evitavam o assunto, mas ele sabia o que estava havendo. Ele estava pagando por tudo o que tinha feito com Sakura, todas as lágrimas que ela soltou por ele, ele soltou o dobro por ela. Era esse pensamento que tinha em mente quando viu o relógio que estava em seu criado mudo. Já eram seis horas da tarde e o sol já tinha se posto.
Levantou-se da cama de onde estava sentado e saiu de casa a caminho do hospital. Tinha combinado com seus amigos – Tenten, Neji, Gaara, Shikamaru, Temari, Hinata, Naruto e por mais que parecesse absurdo, Tayuya – que acompanhariam Ino em seu tratamento semanal contra uma possível leucemia, desencadeada pela inanição que teve. Pegou o metrô e foi direto à sala onde estariam seus amigos esperando.

- Ora, Sasuke! Pensamos que não vinha mais. – disse Shikamaru, agarrado à Temari. Depois a discussão mais tosca que tiveram, conseguiram se entender e ficarem juntos.

- O preguiçoso aqui é você. – contra atacou Sasuke, de mal humor.

- Pois é, mas cheguei uma hora antes de você. – disse presunçosos, o moreno. Até a menina que abraçava sua cintura se manifestar.

- Chega garotos. Parecem crianças. Se estiverem aqui para brigar, pegaram a trilha errada. Deveriam estar na creche.

- Concordo. – disse Tenten, estressada. Ela era a que mais odiava aquele tipo de ceninha. Não estava com pique nenhum para ouvir baboseiras. – Vou dar uma volta. – Soltou-se do namorado e saiu corredor a fora.

Estava tão imersa nas lembranças que nem percebeu a correria que estava aquele hospital. Tinha a impressão de que cada grito que ouvia era solto como se fosse por ela. Ela queria gritar. Tudo estava ali, na garganta, preso, a sufocando. A partida de Sakura não fizera bem para ninguém. Parecia que as horas se arrastavam, tornando mais difícil agüentar o dia-a-dia estressante e chato. E sabia que de todas as meninas, Temari era a que mais sofria, já que se conheciam desde crianças.
Lembrou-se do dia em que Temari cismou em ir à Boston e arrastar Sakura para cá de novo. Seus argumentos eram convincentes até para aqueles que estavam contra a idéia, como ela mesma estava: todos morriam de saudade, sabia onde a rosada morava, ela podia estar passando dificuldades...

Mas Tenten era daquelas meninas que não acreditava em nada que não fosse comprovado cientificamente. E sabia de que não havia possibilidade nenhuma de Sakura estar passando dificuldades. Ela era uma menina que sobreviveu tempos de muitas torturas em sua vida. Não seria agora que cairia em um mar de desespero. Mas não poderia explicar em voz alta à Temari porque o senhor “ah, me perdoe se eu te joguei fora e depois dei valor” – ou seja, Sasuke, estava ali. Então suas respostas foram curtas, rápidas e convincentes assim como o argumento inicial.

- Bom, ela foi embora por quis e se quiser voltar não vai ser a força. Ela tem a herança da mãe e... podemos nos comunicar quando der. Se neura, ok? – falou, acalmando Temari.

“Só você mesmo, Tenten! Mandando a coitada ter calma enquanto você mesma já está quase tendo um AVC.” – pensou infeliz.

Mas agora que estava pensando em suas palavras, avaliou-se por um instante. Era uma menina bonita, inteligente, intelectual. Tinha vários prêmios de feiras de ciências consecutivas, privilegiada por ser a representante de classe e estar com faculdades cheias de dedos, esperando que ela escolhesse em qual queria estudar. Tudo o que muita gente quis. Mas ela nunca desvalorizou tanto isso em sua vida. Estava vendo seus amigos em crise, todos deprimidos. Como ela poderia ajudar sendo uma gênia na robótica, como era/ Ou sendo do colegiado? Para que servia tudo isso agora?
Sentou em um dos bancos que haviam do lado de fora no hospital

O sereno pousava sob sua pele levemente morena, enquanto o vento lambia suas feições, seus cabelos. Suspirou.
Estava tão cansada de ter que fingir que queria desistir. O que nunca fazia e o que nunca realmente admirou em alguém. Desistir sempre lhe pareceu uma coisa para fracos. Afirmava ela, que se tinha tudo o que conseguiu, foi porque nunca desistiu de seus objetivos. Mas parecia que tudo ali era uma questão de oportunidade e não de força de vontade. Porque se tivesse realmente a oportunidade, com certeza traria Sakura de volta, nem que fosse pelos cabelos. Mas ela não podia fazer nada. E assim que se sentia, de mãos e pés atados.
Resumiu, por fim que era uma incompetente completa e que pelo menos, precisava ficar perto de seus amigos. Passou pela porta de vidro na qual dava para os corredores turbulentos. Entrou no meio das pessoas desesperadas e andou depressa para a sala 103, onde estaria sua amiga Ino, sendo perfurada por um monte de agulhas. Teria continuado seu ritmo apressado se uma maca não estivesse em seu caminho. Sabia que reclamar era falta de educação, mas de repente, sentiu a necessidade de saber quem estava na maca. Ultrapassou os médicos que levavam o paciente e esperou até poder enxergar seu rosto. Ficou surpresa com o que viu. Não conhecia o senhor que ali estava, mas o formato do rosto, a espessura do cabelo... Era muito familiar. Deu de ombros.

“Devo estar vendo coisas.” – pensou, mesmo se sentindo incomodada.

Entrou no quarto e acompanhou mais um tratamento de uma de suas amigas.

~*~

Tão sozinha. A vida nunca tinha sido tão difícil. Não sabia o que era pior: continuar em Nova York, sofrendo e fazendo os outros sofrerem; ou ficar aqui, sofrendo sozinha, sem um abraço, sem um consolo.

“Tão sozinha.” – pensei, enquanto olhava os raios de sol entravam pela minha janela, encostavam-se a meu rosto pálido e sem vida.
Os porta-retratos ainda estavam virados para baixo desde o dia em que entrei pela primeira vez na minha casa, a televisão ainda não funcionava – não que eu quisesse concertá-la – e o inverno se instalava no meu quintal, do lado de fora da minha casa. As flores ficaram sem vida, as árvores ficavam sem uma folha, mas o sol continuava a pino, iluminando a vida na terra, e para mim, ainda parecia que a noite fria não tinha passado. Parecia um filme de terror.
Por mais que parecesse mentira, sentia falta do meu pai. Eu ligava para ele à cada cinco dias, para lhe contar da minha vida, de como estava indo. Era deprimente eu ligá-lo para lhe contar mentiras. Dizer que estava tudo bem, dizer que a escola era o máximo e que as pessoas da cidade tinham me recebido de braços abertos. Mas ele sabia da verdade.
Suspirei.

Estava tão imóvel que qualquer um que me visse poderia achar que eu era uma estátua, sentada na cama, como uma doente. Sentia-me tão incapacitada que poderia jurar que tinha sobrevivido a mais um mês, inteiro, sem respirar. Minha existência era medíocre. Eu não tinha como negar. Mas não podia negar mais ainda que, a minha existência sem um certo moreno de olhos quentes não tinha a mínima razão.
Levantei-me com pesar. Tinha que me arrumar para a escola.

Era patético como aquela maldita instituição era cheia de patricinhas e jogadores de futebol americano. Estilo “Gossip Girl”. A minha vontade de vomitar toda vez que eu entrava ali era automática.
Já era a minha terceira ou quarta semana de aula e ainda me olhavam como se eu fosse de outro planeta. E eu realmente era. Algumas pessoas me reconheceram, mas decidiram desistir de tentar puxar assunto. Afinal, ninguém gosta de não ser correspondido. Eu por exemplo, não fui correspondida. Pelo menos, não da forma que eu gostaria de ser.
As cinco aulas do período letivo se arrastaram, enquanto eu me afundava em uma depressão sem fim. A lembrança de um concurso de dança daqui à algumas semanas me puxava mais para baixo do que deveria. Talvez porque tudo que havia sido planejado para a minha vida, a partir daquele ponto – em Nova York, com alguém que eu achava que me amava – tinha ido por água a baixo. Tudo.

Cheguei em casa lutando para encontrar, ao menos, um motivo para na encher a banheira e não me afogar ali, naquele montinho de água. Então, só soube e só puder ver um. Apenas um. Meu pai.
Entrei em meu quarto como um furacão, chutando tudo o que via pela frente. A porta, o bibelôs, os vasos... Tudo sofrendo na minha mão. Chutei o criado mudo que havia do lado de minha cama, e um porta-retratos caiu de cima dele.
Ouvi o barulho do vidro quebrado, castigado ao chão. Minha consciência voltou aos poucos, trazendo com ela, a vergonha. Ajoelhei-me e peguei na mão o porta-retratos ornamentado em flores douradas. Era o que a minha mãe mais amava. Ela ainda amava mais a foto que havia nele. A foto de tempos felizes. Seus olhos refletiam em meu sorriso, no sorriso de meu pai – que me tinha no colo. Tudo tão mágico, tão feliz...

“Tudo ilusório.” – murmurei a mim mesma, sorrindo amargurada com a minha vida fracassada.

O telefone tocou, tirando-me de meus devaneios. Pretendia não atender, mas poderia ser Charlie. Obriguei-me a levantar do chão. Voltei a ficar de pé com dificuldade. Parecia que eu estava no fundo de uma piscina, muito profunda... Parecia que haviam me chamado à superfície e que demoraram dias, até anos, para eu poder sentir o ar bater em meu rosto. É assim que alguém se sente quando está no fundo do poço?
Corri para a sala e me sentei ao sofá. Peguei o telefone na mão e disse um “alô” curto e muito, mas muito grosso.

- Alô, por favor, Sakura Haruno? – disse a voz de mulher extremamente entediada e tediosa – diga-se de passagem.

- Sou eu. Quem fala? – perguntei.

- Hm... – ela murmurou baixinho, confusa com minha pergunta. – Aqui é do Hospital Geral de Nova York. – prendi a respiração.

- O que houve? – perguntei.

- Bom, seu pai é o senhor Antony Smith Haruno?

- Sim. – disse hesitante. Seria muito egoísmo meu mentir e dizer que ela havia cometido um gravíssimo engano só para não saber o que estava prestes a descobrir? Talvez sim... Ou não. – O que houve? – perguntei mais uma vez, já nervosa.

- Bom aconteceu um acidente e... – deixei o telefone ali, fora do gancho. Tentei ser mais rápida do que minhas próprias pernas e peguei meu casaco em cima da poltrona velha dos tempos da vovó Haruno, enquanto corria para a estação de trem.

Na minha bolsa tira-colo havia meu único e mísero dinheiro; - conseguido com muito esforço trabalhando meio período na floricultura do bairro, - meu passaporte, meus documentos e minha chave da casa antiga. Saí correndo entre as ruas completamente vazias, com o frio cortando a minha pele.
E pela primeira vez; - ao chegar à estação de trem e aio vê-la vazia, - quis que ali houvesse uma multidão, aquecendo um pouco o ambiente tão sujo e pegajoso. Pela primeira vez, eu não queria ficar sozinha.

~*~












 

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