[InuYasha] Sonho ou realidade
Sesshoumaru soltou uma risada e voltou costas dirigindo-se de novo para dentro da casinha.
" - Como seria se todos os que me criticam não falassem do que não sabem? – perguntou Inuyasha não conseguindo conter mais a sua raiva. – Se todas as conclusões tiradas não fossem precipitadas? Porque por dentro e com o tempo as qualidades são reveladas! Como seria se eu aprendesse com os erros que cometo? Se eu cumprisse sempre com tudo aquilo que te prometo? Como seria se eu não tivesse medo quando estou sozinho no escuro?
E se tivesse a força do pai para saltar qualquer muro? "
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Nota:
Como seria? (Cap. XVII)
Olá leitores!

Como me ausentei do AS, outra vez, aqui está um capítulo maior, como um presente e um pedido desculpas da minha ausência.
Sentia-se feliz, completa. Sentiu que nada nem ninguém lhe poderia tirar a sensação de bem-estar com que estava e que não lhe poderiam derrubar. Sentiu que iria alcançar todos os seus objectivos, realizar todos os seus sonhos.
Ao voltarem para a casinha de madeira, repararam que todos dormiam, tirando Sesshoumaru que observava a lua e as estrelas através da entrada. Estava com uma expressão indecifrável.
O hanyou encostou-se num canto e Kagome encostou-se junto dele. Inuyasha envolveu-a com os braços e deu-lhe um suave beijo na testa e esta, de tão cansada que estava, adormeceu rapidamente. Contudo, ele não conseguia adormecer. Algo o perturbava demais e estava tão inquieto que lhe dava vontade de começar a andar de um lado para o outro. Só não o fazia para não despertar Kagome. A conversa da tarde com o seu meio-irmão tinha sido um tanto constrangedora. Aliás, bem mais do que isso. Sentia-se magoado, triste. As palavras do irmão nunca antes o tinham afectado como naquele momento. Ele sabia bem que o irmão tinha mudado muito. Tinha saudades da mãe e tinha um desejo verdadeiramente utópico de conhecer melhor o pai. Mas seria impossível estar com eles, já tinham partido. Ele tinha raiva, muita mesmo. Porque seria que as coisas tinham tomado aquele rumo? Não conseguia obter respostas às suas perguntas, por muito que as procurasse constantemente. O seu desprezível irmão tinha tido o direito de conhecer e passar muito mais tempo com o seu pai do que ele. Achava injusto. Porque a mãe tinha de morrer? Já fora há tantos anos, mas mais que nunca sentia a sua falta. Queria tê-los presentes para compartilhar toda aquela felicidade. Naquele momento podia estar junto deles, isso era verdade, mas não estava arrependido pela sua escolha, pela sua luta em voltar.
Queria tentar conhecer melhor o irmão, para tentar saber melhor como era o pai. Ele tinha gostado bastante da conversa deles tirando a última parte. As coisas tinham de ser consertadas e não podia ficar de braços cruzados, não só por ele como por Kagome. Sabia que ela ficaria feliz se eles se dessem bem. Sabia também que Sesshoumaru, bem lá no fundo, queria resolver as coisas. Pelo menos, nem que fosse para agradar Rin.
Tentou fazer de tudo para ganhar coragem. Tinha de lhe dizer tudo o que lhe ia na alma, mesmo não sabendo bem o que dizer nem por onde começar.
- Sesshoumaru… - murmurou.
O youkai voltou o olhar na direcção do hanyou com uma expressão fria, como que se tivesse a perguntar o que ele queria.
- Podes vir lá fora? – perguntou Inuyasha hesitante.
O youkai fitou-o com curiosidade e bastante surpreso. Depois levantou-se e saiu sem dizer uma palavra. Inuyasha com bastante cuidado, colocou Kagome perto de Kirara, para não se sentir desconfortável e saiu também.
O cabelo cor de prata de Sesshoumaru brilhava ao luar e balançava suavemente ao ritmo da brisa gelada que corria.
- Sesshoumaru… - murmurou de novo, com receio, e tentando escolher bem as palavras.
- Vais dizer o que queres ou não?
Inuyasha fitou-o e acenou. Tinha mesmo medo pois poderia ser a única oportunidade que tinha para resolver as coisas. Não suportava aquela atitude de Sesshoumaru, mas estava a controlar-se, queria que tudo desse certo.
- Inuyasha, se foi para me fazeres perder tempo, mais valia não me teres chamado cá fora.
O hanyou nada conseguia dizer, precisava de uns minutos para formular algo mais à altura daquele momento. Fazer isso enquanto controlava a raiva pela atitude do meio-irmão não ajudava pois sentia-se bastante pressionado e com cada vez mais medo de falhar. Não sabia o que dizer. Queria falar, mas foi como se a sua voz tivesse ficado muda.
- Só podia. Vindo de um hanyou como tu, Inuyasha. Nem sei como podes ser filho do meu pai. Não consigo mesmo entender.
Uma faca no peito do hanyou espetava-se a cada palavra de Sesshoumaru e ele esforçou-se mesmo para não deixar as lágrimas cair.
Sesshoumaru soltou uma risada e voltou costas dirigindo-se de novo para dentro da casinha.
- Como seria se todos os que me criticam não falassem do que não sabem? – perguntou Inuyasha não conseguindo conter mais a sua raiva. – Se todas as conclusões tiradas não fossem precipitadas? Porque por dentro e com o tempo as qualidades são reveladas! Como seria se eu aprendesse com os erros que cometo? Se eu cumprisse sempre com tudo aquilo que prometo? Como seria se eu não tivesse medo quando estou sozinho no escuro?
E se tivesse a força do pai para saltar qualquer muro?
O youkai parou. Inuyasha tinha deixado escapar umas quantas lágrimas. Sentia-se ridículo sendo assim ao pé do meio-irmão, mas não foi por isso que saiu dali a correr.
Sesshoumaru virou-se fitando Inuyasha, desta vez sem frieza e superioridade.
- O que eu te estou a tentar dizer, é que posso ser mais fraco que tu. Aliás até sou. Sou um mero hanyou, ao contrário de ti. Nasci de uma humana, sim é verdade. Mas talvez tenha sido das pessoas que mais foi importante para mim, porque foi ela que me ensinou muito daquilo que sei hoje. Não é por ser humana, youkai, hanyou que seria diferente. Sesshoumaru, sabes o que é o amor?
O silêncio ecoou entre eles. Sesshoumaru absorvia tudo aquilo que Inuyasha lhe dissera e estava a reflectir naquilo. Mas Inuyasha estava com raiva. Porque seria sempre assim o seu irmão? Tão frio e com a mania da superioridade?
Sesshoumaru tentou responder:
- Foi aquilo que fez com que o pai…
- Sim, foi aquilo que fez com que o pai morresse! Porque amava a minha mãe e amava-me! E sabes como seria se ele não tivesse morrido? Como seria se ele não tivesse amado? Nada existiria agora! Eu não estava aqui, tu não estavas aqui provavelmente. Se ele tivesse continuado a viver, nunca se teria perdoado por não proteger, não só a minha mãe como também eu próprio! Neste momento ele não era nada! Pensas que queria que ele morresse? Daria a minha vida para que ele vivesse! Por muito que possas duvidar! Como seria viver com as recordações que o tempo me rouba? E não me perder nos desejos durante a minha vida toda? Como seria prender de vez todas as lágrimas e soltar um sorriso?
Sesshoumaru fitava-o cada vez mais pasmado com tudo aquilo. O hanyou no meio de lágrimas que já eram bastantes soltou um sorriso. Mas não era irónico nem maligno. Era de pura felicidade.
- Mas hoje estou pronto, hoje qualquer coisa eu enfrento, luto pelo que quero com a força do sentimento!
Sesshoumaru não conseguiu que todas aquelas palavras lhe fossem indiferentes, nem conseguiu deixar de se mostrar surpreendido.
- Inuyasha… eu… - começou não conseguindo acabar.
Inuyasha estendeu a mão para lhe dar um aperto, para fazerem as pazes. Sesshoumaru aproximou-se olhando para a mão estendida. Ele queria realmente que tudo ficasse bem, mas o seu orgulho era demasiado grande. Depois de todo aquele tempo, só agora é que entendera tudo aquilo que acabara de ouvir. O seu coração dizia-lhe para acabar com toda aquela inquietação e sofrimento escusado. Mas o seu orgulho…
- Oh! Que se lixe o orgulho! – pensou para si.
Estendeu a mão e apertou a de Inuyasha puxando-o na sua direcção e dando-lhe um forte abraço.
- O gelo do teu coração já foi muito derretido por Rin. – pensou Inuyasha sorrindo, enquanto derramou umas lágrimas de alegria.
Sesshoumaru rapidamente separou-se dele. Limpando os olhos para que as lágrimas que queriam cair não o pudessem fazer.
Foram dar uma volta em silêncio. Não precisavam de falar naquele momento. Só precisavam da presença um do outro.
Finalmente Inuyasha quebrou o silêncio:
- A minha mãe uma vez ensinou-me uma coisa muito importante e tenho a certeza que se o pai fosse vivo teria ensinado também…
Eles pararam:
- “Fecha os olhos, pensa e segue em frente. Faz o que sentes o que os outros pensam é indiferente.”
Sesshoumaru percebeu que aquilo era o que Inuyasha tinha feito e estava a sugerir que ele fizesse o mesmo. Inuyasha apenas acrescentou:
- Dou tudo o que tenho e tudo o que não tenho teria, para dar àqueles que amo e não supor como seria.
(continua…)
Algumas partes das falas do Inuyasha pertencem à música "Como seria" do Erva Daninha.
Espero que gostem!

Obrigada por lerem a fic!
Comentem e deem a vossa opinião
Capítulos de [InuYasha] Sonho ou realidade

Usuário
Meia Vampira/Meia Anjo
Postado em 20/02/2010 20:09:56
Nossa
O InuYasha e o Sesshomaru fizeram as pazes
Fiquei pasma
Sua fic ta d+
Continua
Nota: