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[Sakura Card Captor] Flor de Cerejeira - Capítulo Único


Onze anos depois da morte da mãe, Sakura ainda sente muita falta dela...mas, dessa vez, ela vai ganhar um motivo pra sorrir!
E descobrir que a saudade vai existir sempre...junto com as boas lembranças.

Fic feita pro concurso das Power Girls! o/
Meu primeiro draminha! n_n
Boa leitura =*
Comentários: 13
Favoritos: 7
Visualizações: 600
Caracteres: 12.220
Classificação: Livre
Nota: Nota: 4
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Adicionado por: ~Laura-chan
Adicionado em: 06/03/2008
Categoria: Animes/Sakura Card Captor
Generos:
Avisos:
Personagens: Sakura, Fujitaka, Nadeshiko, Toya
Tags:


*Essa fic foi feita especialmente para o Concurso de Fanfics do clan Power Girls, cujo tema é saudade...
Bom, me desejem sorte! o/*



~~~

-Sakura!
Continuei correndo.
-Sakura, volte! Por favor!
E não olhei pra trás. Não tive coragem.

* * *


O céu ainda estava escuro e cinzento. Nem parecia verão.
Ao longe, eu podia ouvir as vozes de Toya e do meu pai. Mas eles não iam me alcançar. Eu já estava longe. Mas não bastava. Eu queria ir ainda mais distante, queria sumir dali.

Faz 11 anos que a minha mãe morreu.

Nós estávamos no cemitério. Toya colocou algumas margaridas no túmulo.
"Eram umas das flores que ela mais gostava".
Papai ficou olhando pra aquela caixa de mármore. Ele tinha um guarda-chuva na mão esquerda, por garantia. Estava de costas pra mim, mas eu sabia que seus olhos estavam cheiros d’água. O vento soprava em direção ao sul. Toya veio até mim e colocou a mão no meu ombro. Eu ainda mantinha os olhos fixos no meu pai. Eu sempre o achei incrível. Tomar conta de dois filhos sozinho, trabalhar, cuidar da casa...e tinha sempre um sorriso no rosto. Mesmo quando estava resfriado, tinha energia o bastante pra fazer muito triatleta se roer de inveja! Mas, naquele momento, ele me pareceu a pessoa mais abatida que eu já vi. Foi quando eu percebi que meu pai não era tudo aquilo que eu pensava. Ele era só um homem.
Um homem que amava muito a espos. E a perdeu.

Depois de algum tempo, ele deu meia volta e sorriu pra nós. Foi o sorriso mais triste do mundo.
-Vamos?

Ele e Toya foram andando até o portão da saída.
-Ei mana - era a primeira vez que eu ouvia Toya me chamava de "mana" em vez de "mostrenga". - Anda logo.
-Já vai... - respondi, sem sair do lugar.
Fiquei olhando pro céu cinza. Depois olhei pro túmulo da minha mãe. Pra as margaridas.
Estava tudo da mesma cor.

-Sakura!!

Toya me viu correndo pra outra direção.
-Onde ela vai? - perguntou meu pai.
Os dois foram atrás de mim. Eu corri sem olhar pra onde ia. As lágrimas não me deixavam ver o caminho...

* * *


E agora eu estava perdida.
-Nossa, nunca pensei que esse cemitério pudesse ser tão grande! - falei, olhando para os lados, quando já tinha parado de correr.
Na minha frente tinha uma árvore enorme. Eu estava com muita raiva, muito triste...e acabei esquecendo que sou uma garota ecológica. Comecei a chutar aquela erva daninha super deselvolvida.
-Por que?! - falei, com os olhos ardendo por causa do choro, enquanto socava a árvore. Podia sentir as minhas mãos sendo arranhadas naquele tronco. O sangue escorria pelos meus dedos. - Por que ela tinha que morrer?! Eu nem pude conhecê-la direito! Por que mamãe?!!

Começou a chover. No início era só uma garoa fraca, mas depois ficou mais forte, com direito a trovões e tudo mais.
E eu ainda lá.
Depois, a dor nas minhas mãos foi insuportável, e eu tive que parar de socar a planta. Me ajoelhei em frente àquela árvore velha, e encostei a cabeça no tronco.
-Por que...? - minhas lágrimas se misturavam com a chuva e escorriam até minha boca. Engraçado. Tinha gosto de soro.

-Licença... - disse uma voz atrás de mim.
-V-vá embora - falei, sem olhar pra trás.
-Eu só quelia saber se a senholita sabe o...o caminho até a saída.
Virei o rosto. Era uma garotinha. Usava uma capa de chuva amarela e olhos muito parecidos com os meus. Tinha uma flor de cerejeira na mão direita. Não era como as flores que meu pai tinha colocado do túmulo da minha mãe, ela reluzia com as gotas de chuva.
-A saída?
-É - disse ela, com um meio-sorriso. - Eu me perdi do meu papai e meu irmão mais velho. A senholita sabe pra onde fica o portão azul?
Suspirei. Eu não estava nem um pouco afim de ter uma pirralhinha grudada em mim. Além do mais, eu também não fazia a menor idéia de onde ficava esse portão azul. O da saída era branco.
-Desculpa - olhei pro chão. - Eu estou um pouco ocupada...e nem sei pra que lado fica esse...
-Ah tá - ela pareceu ficar bem triste. Senti até pena...ouvi uma vozinha na minha cabeça, que dizia que eu tinha que ajudar. O que custava?
-Se voce quiser... - senti meu rosto ficar vermelho - ...podemos procurar juntas.
O sorriso dela foi mais brilhante do que a flor em suas mãos.

* * *


-A senholita tá aqui passeando?
-Não.
-Qual é sua cor plefelida?
-Tanto faz...
-Pla mim também! Eu amo todas as coles! Só não pleto, é muito tliste...porque a senholita tá de pleto? A gente não usa isso só nos entelos?
-Bom...
-Quantos anos a senholita tem?
-Catorze. E você?
- Tlês. Então eu posso chamar a senholita de você né?
-Como?
-O meu pai sempre fala que a gente tem que ser educado com os mais velhos. Mas como a senholita...opa! Como você tem 14 anos, eu posso chamar você de...você!
-Ah, legal - respondi. Ela falava tanta coisa, tão rápido, que eu não conseguia entender nada.
-E aí?
-O quê?
-Você tava vindo de um entelo?
-Bom...mais ou menos... - será que aniversário de morte podia ser considerado um enterro? - Foi a primeira roupa que eu encontrei. E por algum motivo, eu gosto de preto, combina com esses dias triste de chuva.
-Ah sim...
Ela ficou em silêncio, olhando pro chão. Achei que precisava falar alguma coisa.
-E você?
-Ahn?
-Que cor tá usando?
-Pleto também - respondeu a menininha, levantando um pouco a capa de chuva, pra que eu pudesse ver o vestido rendado. - Sabe...a minha mamãe moleu hoje.
-Sério? - sei que eu pareci meio indelicada, perguntando assim...mas eu estava surpresa com a coincidência - Foi hoje mesmo?
-É...na veldade...ela estava meio doente já... - a garotinha começou a soluçar. - O papai soube ontem...
O rosto dela já estava cheio de lágrimas. "Coitada" - pensei. - "A mãe dela morreu ontem e eu aqui, reclamando de uma coisa que aconteceu hà 11 anos!".
Segurei a mão dela.
-Sabia que - me agachei até ficar da altura dela - a minha mãe também morreu hoje?
-É? - disse ela, enxugando os olhos com a mão livre - Por isso que você tava cholando?
-É - respondi. - Mas já faz muito tempo que ela morreu, nesse mesmo dia...

Antes que eu pudesse fazer alguma coisa, aquela menina de capa de chuva amarela me abraçou.
-Não chola...eu tenho celteza que as nossas mamães tão num lugar bem legal agola...
O que eu podia fazer, se não abraçá-la também?
-Eu também tenho certeza... - falei, envolvendo aquela criaturinha doce nos braços. E, nesse momento, eu senti que já tinha feito aquilo antes. Nesse mesmo lugar, eu já tinha abraçado alguém com essa mesma ternura, embaixo de uma chuva de verão.

Sem que eu pudesse me conter, comecei a chorar.
Mas eu não estava triste. Eu simplesmente chorei. E ela também.
-V-vamos agora até esse portão azul? - disse eu, enxugando os olhos com as mãos, da mesma maneira que ela havia feito.
-Vamos! - disse a menina, sorrindo.

* * *


-Ei moça - disse ela, enquanto andávamos. - Pla você.
Ela me deu a flor de cerejeira brilhante, que tinha guardado no bolso.
-Pra mim?
-É. Acho que você plecisa dela mais do que eu.
-O que você quer dizer com...
-Sabe...eu gosto de pleto agola.
-Mesmo? - perguntei. Ela nunca me deixa terminar uma frase direito...Lembrei que meu pai costuma dizer que eu era assim também. - Por que?
-Polque...você tá de pleto e eu também. E agola somos amigas. E essa é a nossa cor agola!
-Hm...é verdade! - olhei para o meu vestido encharcado. Meu Deus...meu pai vai me matar...bom, pelo menos já estava com a roupa certa.
-Vamos pular nas poças? - perguntou ela.
-Nas poças?
Então eu reparei que a chuva já havia acabado. Só o que tinha era alguns respingos e o orvalho nas árvores e cruzes. O sol estava começando a aparecer, e secava a água com uma lentidão tão tranqüila...eu me sentia tão...tão em paz...
-Claro, porque não?

Até me esqueci que estava num cemitério. Os meus sapatos afundavam nas poças d’água enquanto minhas mãos me suspendiam com a ajuda de um galho logo acima da minha cabeça. A pequena fadinha - como resolvi chamar a menina de olhos verdes como os meus - saltava de poça em poça, sem dar a mínima para a lama, que fazia sua capa ficar marrom claro, ao invés de amarelo.
-"Deve ser uma sensação muito gostosa" - pensei, sem entender porque eu tinha a impressão que já havia feito aquilo, exatamente como ela.

E fomos andando assim, sujas mais felizes, até que ouvi um pequeno grito:
-Olha! É o poltão azul!! Encontlamos!

Acho que os últimos acontecimentos tinham me deixado um pouco confusa. Eu estava mesmo vendo um portão azul-escuro no mesmíssimo lugar onde ficava o meu portão branco?
-Nossa...nunca mais pulo em poças de lama de cemitérios... - sussurrei.
-Ei amiga! Olha! É o meu papai e o meu irmão ali!

Olhei pra onde ela estava apontando, e tive a absoluta certeza de estar delirando geral. Aqueles ali não eram o meu pai - um pouco mais remoçado - e uma mini-versão do Toya?

-Ei monstrega! - gritou o garoto - Onde é que você se meteu?! Estamos te procurando hà um tempão!!
-Eu não sou monstrenga!
-Vamos querida - disse o homem ao lado do menino, com o mesmo sorriso triste do meu pai. - Hora de ir pra casa.
-Tá bom papai! - respondeu ela, soltando a minha mão - Obrigada por me trazer de volta amiguinha...e por me fazer gostar de preto também...mas só pra dias tristes de chuva!
Ela sorriu e correu em direção ao pai. Na hora, veio um vento indo em direção ao sul, e o seu capuz, da capa de chuva caiu.
Cabelos castanho-claros, com um prendedor vermelho em cada lado.
Exatamente como eu.

-Espera! - gritei - Qual o seu nome?
-Sakura Kinomoto! - respondeu ela, e voltou a olhar pra frente.

Eu não conseguia me mover. O pai a chamou novamente:
-Sakura!
As imagens foram ficando embaçadas, até que eu não conseguia ver mais nada. Tudo era escuridão.
-Sakura! Sakura!
-Eu...eu estou aqui...

-SAKURA!!
-Ai! O quê? O que foi? Quer pular na água de novo?
-Água? Sakura, do que você está falando filha?
-Ahh...n-nada de mais pai. Nada de mais...
-É ruim hein monstrenga? Você está cada dia pior...!
-Eu não sou monstrenga, Toya!! - gritei, tirando a mão dele do meu braço.
Foi um sonho?
-Crianças, está na hora de ir.
-Sim pai... - dissemos eu e meu irmão.
Coloquei a mão no bolso do vestido. Não, claro que não foi um sonho.
-Ah, vocês podem esperar só um pouquinho?
-O que foi agora Sakura?
-Nada pai - respondi, já andando até o túmulo da minha mãe.
-O que está fazendo? - ouvi Toya perguntar.

-Descanse mamãe. Eu amo você.
Coloquei uma pequena e brilhante flor de cerejeira bem perto do nome dela e mandei um beijo no ar.
-Obrigada.

* * *


Voltei pra perto da minha família. Papai estava com as mãos no bolso, olhando pra mim com ternura. O sorriso dele voltou a ser aquele símbolo de felicidade que me acordava todas as manhãs. Quanto ao Toya... Ele descascava a tinta do portão com as unhas.
-Ei monstrenga, duvido você adivinhar que cor tinha aqui, antes do branco.
-Que pergunta difícil...deixa eu ver...azul-escuro?
-Nossa - ele tentou esconder o espanto. - Foi...foi pura sorte!

Meu pai riu, e eu também.
Antes de entrar no carro, dei uma olhada para o céu, e senti os raios de sol do fim-de-tarde queimando levemente meu rosto, como um beijo antes de dormir.
-"Eu sinto muitas saudades suas mamãe" - pensei. - "Mas eu sei que você está sempre por perto".

O carro deu a partida e fomos pra casa, sem que eu pudesse ver um anjo dourado no céu, de cabelos longos e sorriso doce, olhando pra nós. Com uma flor de cerejeira nas mãos.

*Fim*



~Editando fic...editando fic...
Incrível, toda vez que eu leio isso, encontro um erro de digitação! ò.ó
Mas vocês me perdoam, né gente? (*-*) É que meu computador não tem corretor automático u.ú
(estranho...eu sei)
Enfim...obrigada pela leitura, e volte sempre! o/~

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